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domingo, 4 de setembro de 2016

O que as crianças podem aprender das disputas entre irmãos

Cada briga pode ser um momento de aprendizado.


Imagem: Pixabay

Em um artigo anterior, eu dei algumas sugestões sobre como lidar com as disputas entre irmãos e eu sugeri o fato de que, na realidade, há um lado positivo das disputas entre as nossas crianças. Eu sei, alguns de vocês pensam que, desta vez, eu realmente perdi a cabeça.

Acredite ou não, há um lado positivo nas disputas entre irmãos. E se nós faremos uso disso ou não, depende da nossa atitude.
Sim, as brigas e gritarias são irritantes, e sim, lidar com isso muitas vezes é um aborrecimento.

“APENAS UM ABORRECIMENTO? 
SENHORA, VOCÊ NÃO SABE O QUE ESTÁ FALANDO!”

Mas ajudaria bastante se olhássemos cada briga como um momento de aprendizado e uma oportunidade para construir o caráter. Nós precisamos ter um objetivo em fazer de cada briga uma lição de autocontrole e caridade. Eu sei que isso pode ser bem, bem difícil. Contudo estou convencida de que essa é a única solução a longo prazo.

Para fazer de cada disputa um momento de aprendizado, comece por si mesmo. Quando os seus filhos estão brigando, tente ficar calmo (Sim, isso é muito difícil também. Mas tente de qualquer maneira.) Relembre você mesmo que ainda que se sua criança estiver gritando histericamente e seu coração esteja acelerado, o incidente, na verdade, não é grande coisa. Apenas parece ser. Você quer usar o momento para ensinar e não simplesmente sair desse aborrecimento inconveniente o mais rápido possível. Então o que você ensina?

Ensine autocontrole.
Relembre as suas crianças que elas não precisam gritar para serem ouvidas. Se persistirem na gritaria, mande-as para seus quartos até estarem mais calmas. Se você começar a gritar, saia de cena até que esteja mais tranquilo.

Ensine os seus filhos a forma de controlar sua raiva.
Dê orientações reais. Eu permito as minhas crianças expressar sua raiva batendo o pé ou socando o sofá ou a cama. Mas elas não podem bater no irmão ou jogar objetos. Quando fazem isso, há consequências.

Ensine-os a administrar a situação. Às vezes, os meus filhos ficam frustrados porque não sabem como lidar com uma situação. Então, eles atacam. Ensine os seus filhos o que eles podem fazer quando um irmão está sendo irritante ou quando percebem que uma luta se aproxima. Primeiro eles devem tentar trabalhar isso, e se não puderem, eles devem sair da situação ou pedir ajuda de um pai. (Pedir ajuda de um pai não é ser dedo-duro. Dedo-duro é quando você conta algo sobre uma criança para colocá-la em um problema. Ter ajuda de um pai significa que o filho precisa de ajuda para lidar com uma disputa. Os dois parecem ser o mesmo, mas a intenção da criança é muito diferente.)

Ensine os seus filhos como negociar e ter compromisso.
Quando eles alcançarem a idade da razão, encoraje-os a trabalhar em seus desacordos por si mesmos. Você pode ter que modelar isso e fantasiar algumas situações com eles. Então mostre confiança nas habilidades deles para resolverem suas diferenças. Eu sei que as suas crianças são espertas o bastante para resolverem isso por si mesmas.

“VIU, MAMÃE? NÓS RESOLVEMOS TUDO!”

Finalmente, ensine os seus filhos a pedir desculpas e desculpar.
Se alguma ofensa realmente é escandalosa, faça seu filho escrever uma carta de desculpas, na qual ele incluirá uma lista de traços positivos do irmão ofendido, orientando como ele fará isso, e na qual ele irá pedir perdão. Todas as desculpas deveriam terminar com “Você me perdoa?”. Isso torna o pedido de desculpas mais sincero, humilde. Então, relembre a crianças que foi ofendida de que mesmo que ainda esteja sentindo raiva, ela pode escolher perdoar. Um traço admirável que a maioria das crianças tem é a facilidade de perdoar, então não as deixe criar o hábito de guardar rancores. Encoraje seus filhos a dizer as palavras “Eu perdoo você” e a oferecer um abraço ou um aperto de mãos.

Para que uma desavença se torne um momento de aprendizagem, você precisa ser o mais justo possível. A menos que esteja claro que uma criança foi a autora e a outra era totalmente inocente, não tome partidos. As crianças têm um grande senso de justiça, e se você sempre tomar partido de um dos irmãos, elas começarão a se sentir ultrajadas e ressentidas. Usualmente, ambas partes estão em falta e precisam ser corrigidas

Algumas crianças quase sempre insistem que estão certas. Geralmente, são as mais resolutas, coléricas. Não importa o quão justo você tente ser, elas insistirão que você não está sendo justo. Então, quando você tiver que mediar, pacientemente ouça o ponto de vista de todos e repita os pontos de vista para que percebam que você as ouviu. Às vezes apenas dar a oportunidade para as crianças desafogarem sua raiva é o suficiente para se acalmarem. Depois faça o melhor julgamento que você puder. Não entre em um longo, um argumento prolongado, tentando convencer suas crianças cabeças-duras que você esta sendo justo e/ou ela está errada. Tome a sua decisão final, realize-a, e esteja satisfeito com isso. Não entre em uma briga por outra briga. E não se preocupe se suas crianças disserem que você não está sendo justo. Se você fez o seu melhor para tomar a decisão mais correta, fique com ela. Quanto mais os seus filhos enxergarem (à longo prazo ou em retrospectiva) que você está tentando ser justo e você não está escolhendo favoritos, eles eventualmente aceitarão as suas decisões. As chances são que, uma hora depois, eles terão esquecido o incidente de qualquer forma.

Se parece que seus filhos estão sempre brigando, lembre que as crianças são um trabalho em progresso. Elas são diamantes brutos, que precisam do calor e do atrito dos choques e confrontos diários com outras crianças antes que elas possam reluzir e brilhar. Cada disputa é uma oportunidade para ensinarmos os nossos filhos a crescer em bondade e consideração pelos outros. Também é uma oportunidade para nós crescermos em paciência!

Claro, haverá momentos em que estragaremos essas oportunidades. Haverá momentos, nos quais perderemos nosso temperamento ou faremos chamadas injustas. Vamos perseverar de qualquer forma. Então, conforme nossos filhos amadurecerem, as brigas reduzirão e as nossas crianças crescerão em um amor mútuo e respeito pelo outro.


Mary Cooney é mãe que oferece homeschooling (educação domiciliar) aos seus cinco filhos e ex-pianista, moradora de Maryland. Ela posta no blog Mercy for Marthas, no qual esse artigo foi publicado pela primeira vez.


Artigo do blog: MercatorNet

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domingo, 10 de abril de 2016

O mundo precisa de adultos





Já publicamos um post falando que o adulto sumiu. Era um texto com muita ironia. Chegou a hora de falar mais sério sobre esse sumiço.
Adulto virou adjetivo. Quando se diz que o filme ou a revista tem temática adulta, significa que aí vem sacanagem. A isso chegamos. No melhor dos casos, o adulto é um cara sisudo que não tem a alegria dos jovens. Adulto virou sinônimo de cara feia.
Vamos tentar reverter esta situação. Ser adulto vale para homens e mulheres. É viver a maturidade própria da sua idade, ou seja, não como as crianças, os jovens ou os idosos. É o adulto que gera, cria e tenta educar as crianças e os jovens, é ele que assiste os idosos, ao mesmo tempo em que procura ouvir e aprender deles. Por tudo isso, tem um papel importante na condução do mundo.
O problema é que ele sumiu. Nos nossos tempos, a pessoa só deixa de ser jovem quando se torna “gagá”. Um homem com 60 anos sai por aí dizendo que arrumou uma namorada e só fala de carros e restaurantes. Uma mulher de 50 anos continua tendo como principal tema de conversa festas e frivolidades.
Ser adulto é ser responsável? Penso que todos devem ser responsáveis, cada um a seu modo e tempo. A criança pode e deve ser responsável na escola. Ser adulto é saber ponderar, ter em conta os matizes da realidade? Certamente, mas isso se aplica também a jovens e idosos. Ser adulto é ser independente? Todos precisamos saber se virar e saber pedir ajuda, de acordo com as circunstâncias de cada um. Talvez uma coisa seja própria do adulto: ter dependentes sob sua guarda. Seja na família, no trabalho, numa instituição ou na sociedade. E todos esperam dele que seja fiel e faça a sua parte.
Porque é difícil ser adulto em nossos dias?
Veneração pela juventude.
No passado, o jovem era alguém que tinha que ser ensinado pelos mais velhos. Com a invenção da adolescência feita pelo mercado de consumo e um par de intelectuais (vide post A criação da juventude), o jovem passou a ensinar os adultos como se vive. A partir dos anos 60 a situação se agravou e os jovens disseram aos adultos: Não há mais esperança para vocês. A melhor opção, se ainda querem ser felizes, é renunciar a crescer, usem nossas roupas e cabelos, transgridam e tentem nos imitar o melhor que puderem. Solução Peter Pan.
A geração do Vale do Silício trouxe mais pimenta ao dizer ao mundo que só os jovens são criativos. Mark Zuckerberg, inventor do Facebook não teve receio de afirmar: “Os jovens são mais inteligentes”. Se isso é verdade, a crosta de ignorância impede o uso da mesma. Nossa cultura está totalmente convencida de que o jovem é a encarnação da autenticidade e da irreverência (e de que isso são valores) e que deve ser venerado como a esperança da humanidade.
Modelos de educação e vida

Antigamente a maior parte da população mundial vivia no campo. As crianças e os jovens tinham um papel a desempenhar. Produziam, segunda sua capacidade. Pegar água no poço, pastorear os animais, ajudar na colheita, cuidar dos irmãos mais novos, etc. A ida à escola não impedia que trabalhassem e ajudassem seus pais. Mesmo nas cidades, era comum ver naqueles anos jovens vendendo jornais nas esquinas, fazendo serviço de entrega, atendendo no balcão da loja, etc.
Cresciam em um ambiente de responsabilidade, porque o que estava em jogo era a sobrevivência da família. Ao chegar na casa dos 20 anos, esses homens e mulheres casavam, saíam da casa dos pais e tratavam de trabalhar para sustentar sua nova família.
Compare com a situação atual. A criança e o jovem se tornaram meros consumidores. Possuidores de muitos direitos e poucos deveres. Não sabem pagar uma conta no banco, pegar ônibus ou limpar a cozinha. Tudo o que se exige é que estudem. Feito isso, estão liberados para curtir a vida, tendo seus pais como lacaios que os servem, sustentam e atendem a seus gostos. Para piorar a situação, o nível dos colégios e universidades exige uma hora de estudo por semana para conseguir boas notas. E por apenas 9 meses do ano. E essa criatura jovem, quase inútil, ainda é vista e incensada pelos mais velhos, como pináculo da humanidade.  Como podemos esperar que aos vinte e poucos anos, sem ter tido responsabilidades, sem ter enfrentados desafios, de repente ponha os pés no chão e se comporte como um adulto?
Em um post anterior escrevemos que antes dos 30 anos o cérebro ainda não “cristalizou”. Nesses anos é muito mais fácil adquirir hábitos novos. O treino para fazer as tarefas próprias de um adulto torna-se difícil após esse período. Pedir a uma mulher ou a um homem que “tome jeito” ou “aguente o tranco” aos 35 é muito diferente do que pedir isso aos 25 anos. O que era para ser feito de forma gradual, no seu tempo, passa a ser exigido de uma tacada e tarde demais.


 Escolhas e opções
 Voltemos ao Brasil do século XIX. O que você poderia comprar com vinte anos, trinta anos de idade? Que lugares do mundo poderia conhecer? Que profissões poderia exercer? Compare com os nossos dias e veja a abundância de escolhas disponíveis, em todos os campos da vida!
Mas, tudo tem seu preço. Escolher significa renunciar a outras opções. Mas o homem e a mulher modernos, disseram: Não! Quero tudo! Não quero renúncia! Não quero fechar portas! Quero casar, viajar, trabalhar, cobrar escanteio e cabecear.  Acontece que a realidade não permite isso e alguma coisa vai dançar: vem o divórcio, a carreira trunca, a noitada prejudica a saúde, etc. Por outro lado, quem tenta não decidir, fica em um limbo que não permite nenhum progresso real na vida.  Ora, é próprio da vida adulta escolher. Tomar decisões, assumir riscos, fechar portas. Há pessoas que dependem do adulto e este não pode ficar brincando de bem-me-quer, mal-me-quer.

 Jovem: o sucesso te espera
 No passado uma família tinha vários filhos e, destes, vários morriam na infância. A perda de um filho era um fato doloroso, mas corrente na vida. Com a redução da família para um, ou no máximo, dois filhos e baixa mortalidade infantil, cada pimpolho se tornou objeto de todas as atenções materiais (o que não significa que os pais estejam presentes). O escolhido passa a ser preparado desde o berço para ser “o cara”. Com talentos incríveis (só os professores é que não enxergam), o menino ou a menina entendem que o mundo deve se colocar de joelhos para eles. Como diz a socióloga Viviana Zelizer, os jovens passaram a não ter valor econômico (só consomem, não produzem), mas se tornaram emocionalmente impagáveis.
Passam os anos e vem o contato com o mundo real. Contato que tem sido cada vez mais tarde, somente após concluir a universidade. O processo de transformação de alguém que pensa ser especial em alguém que percebe que é um pedestre como outro qualquer é duro. E longo. A entrada no mundo adulto exige isso.


O caldo cultural não ajuda
Não se vê no horizonte mudança de perspectiva. Tudo que ouvimos são odes e louvores à juventude, ao romance e a curtir a vida. Não há propaganda que mostre uma pessoa trabalhando, pegando a vida, como o touro, à unha. Que novela ou série fala de pais responsáveis ou de gente séria? Tudo o que nos dizem é “pegue leve”; “no stress”; “keep calm and carry on”. De onde sairá o adulto? De onde menos se espera é que não vem nada mesmo.
Mas o mundo precisa de adultos. Porque precisa de profissionais competentes e experimentados (após muitos anos de esforço e sacrifícios continuados);  de gente que saiba dizer não quando necessário e mantenham e sustentem princípios e valores; de estabilidade e segurança, porque não se pode levar o mundo só no impulso e na criatividade; de gente que não queira apenas comer, mas também faça o pão; de pessoas que pensem menos em privilégios, concessões e indulgências e carreguem no ombro responsabilidades,  deveres e serviço; de pessoas que não pensem apenas no interesse próprio, mas no interesse dos demais e, sobretudo, dos que dependem deles.
Vamos trabalhar para que o mundo não se torne uma idiocracia: um mundo de tolos.

Artigo do blog: O Correio Chegou.

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Casais de Sucesso - Evento de Abril

Queridos leitores,

Segue convite para o evento de abril do Casais de Sucesso. Caso queiram participar respondam este formulário.

Formulário de Presença - Casais de Sucesso




Seguem fotos dos eventos anteriores.

Evento de Março: CUIDADO DO LAR





Evento de Janeiro: FEITOS UM PARA O OUTRO




Evento de Dezembro 2015: A VOCAÇÃO DO HOMEM E DA MULHER, na visão da filósofa Edith Stein.



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Será que vale a pena casar jovem?




Cada caso é um caso, diz o chavão. E tem razão. Além disso, cada um é livre para casar quando quiser. Isso não se discute. Mas quando se percebe que homens e mulheres estão casando mais tarde, podemos perguntar se isso é vantajoso ou não.

A história é conhecida. Casa-se mais tarde porque é preciso estudar, trabalhar, arrumar dinheiro e comprar uma casa. Aí já se chega aos 30 anos. Depois é preciso curtir um pouco a vida de solteiro. Mais uns anos. Para assumir um compromisso é preciso estar maduro, conhecer alguém também maduro. Mais alguns anos.

Isso não significa que casar jovem seja uma atitude arriscada, imatura ou equivocada. Há uma sabedoria na natureza que é bom estarmos atentos.

Na faixa dos 20 anos, uma pessoa tem vigor físico, disposição para enfrentar desafios, capacidade de adaptação a mudanças que uma pessoa de 30 ou 40 anos costuma não ter. Quando se pensa que uma vida a dois exige paciência, pequenas renúncias, flexibilidade para alterar planos em função do outro, parece que os casais jovens saem ganhando.

A biologia da mulher não mudou com os séculos. Sua fertilidade vai despencando a partir dos 30 anos.

Quando se tem 20 e poucos anos a vida profissional está engatinhando e a renda também. Mas isso não é uma desvantagem para os casais jovens. Os apertos econômicos, os horários complicados do estudo e do trabalho, o adiar uma pós-graduação são muito bons para unir o casal. As amizades sólidas são sempre feitas quando se passa por um sofrimento. Com o casal é a mesma coisa. Ter uma posição profissional e econômica confortável pode se tornar uma arapuca para o egoísmo e para distanciar um do outro, levando até mesmo à separação.

Casando cedo, os desafios da vida acadêmica e profissional são enfrentados com o suporte emocional e vital do parceiro. Não se está sozinho na luta.

E a questão da maturidade? De fato, as pessoas têm demorado mais para amadurecer. Mas a culpa não é do tempo. Há imaturos de 60 anos. O que amadurece são os sacrifícios que o cumprimento do dever leva consigo. Não conheço uma pessoa capaz de se sustentar com seu trabalho, que se vira para resolver os problemas que aparecem, que seja imatura. Há moças e rapazes de 13, 15 anos bem maduros. Se não são muitos é porque estão cheios de comodidades e facilidades paternais e maternais. Um casal que casa jovem, tem filhos logo e dispensam a ajuda de sogros e sogras não tem tempo para crises e adquirem uma personalidade muito bonita. Pesquisei em lares pobres e de classe média e não encontrei crianças desse tipo de lar que tenham passado fome, tenham ficado para trás na vida ou na profissão. Eles aprendem a se virar com pouco dinheiro. E vão longe.

Olhando da perspectiva dos filhos – o que é pouco comum hoje em dia -, eles também se beneficiam de terem pais jovens. Alguns estudos apontam que crianças com pais jovens são mais sadias física e mentalmente. Contam com pais com maior disposição física e mental, tem maior probabilidade de terem irmãos e irmãs que são importantes no seu desenvolvimento e terão seus pais mais tempo aqui na terra, os quais poderão conhecer os netos e até os bisnetos.


Artigo do blog: O Correio Chegou.

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sexta-feira, 4 de março de 2016

Temperança: entre o puritanismo e a esbórnia



Perdemos completamente a noção do que seja realmente a temperança. No melhor dos casos, pensamos que temperança é controle. “Evite excessos: não coma muito, não beba muito, transe com segurança”.

Não foi isso que os antigos entenderam por temperança. Para eles temperança era usar os apetites “sensoriais” de forma a atingir a finalidade da natureza humana – usá-los com racionalidade. Como não aceitamos mais o conceito de natureza humana e, por decorrência, uma finalidade para a vida, o que resta é controle.

Na verdade, nem controle mais existe. Oscilamos entre o puritanismo secular e a esbórnia. Vejamos exemplos.

Álcool: Temos o grupo que enche a cara por princípio. Antes de ir a uma festa, no meio da festa, no final da festa, para comemorar ou para esquecer, enche a cara. E há o grupo que não deixa ninguém comer nem um bombom com licor sob pena de ser multado, preso e ter confiscada a carteira de motorista. Não tem meio termo. Onde foi parar a boa e velha temperança de apreciar uma boa bebida?

Comida: Temos o grupo que vive de comer em podrões, com colesterol, pressão alta, diabetes e outros problemas. E há o grupo que só come brócolis e broto de bambu, alertando a todos que isso e aquilo fazem mal à saúde. Onde foi parar a flexibilidade de comer um leitão ou uma fruta na hora certa, na medida do bom senso?

Tabaco: Tem o grupo que fuma cigarro por vício o dia inteiro e tem a turma que não permite tabagistas em um raio de 1 km. Onde foi parar o prazer de fumar um bom charuto no domingo depois do almoço?
E quanto ao sexo, há uma pequena diferença. Os puritanos, aqueles que sequer mencionavam a palavra por tabu, já não existem mais. Houve tempo em que uma moça se aproximava da data do casamento sem conhecer os fatos da vida. Isso acabou. Em compensação, a hipersexualidade é tão forte que a ideia da temperança (que os antigos chamam de castidade, seja do casado ou do solteiro) é vista como algo impossível para o homem moderno.


A falta da temperança criou uma geração sem disciplina. Homens e mulheres que não conseguem dizer sim e não quando convém, deixam de aproveitar o melhor da vida, têm dificuldades para se relacionarem com as pessoas, criam problemas de saúde, esgotam-se em vícios, prejudicam a carreira profissional. E não tem a menor ideia por onde começar o conserto.


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Economia e família


Eu vivi em uma família laissez faire, na qual cada membro da família corria atrás dos seus interesses. Constatei, para minha surpresa, que a família laissez faire não é muito feliz. Uma família que se une na base de contratos tácitos e implícitos torna-se menos estável que uma família unida por algo tão vago e intangível como o amor.
Quando estudei as ideias do liberalismo econômico, de uma economia de mercado funcionando sem travas, eu fiquei cativada pela sua lógica, consistência e simplicidade. Fiquei muito animada em aplicar essas ideias na minha vida pessoal. Agradava-me pensar numa vida pautada em cima da ideia de que todos têm o direito de fazer na vida o que querem.
Não sou contra o liberalismo econômico. Ele não só está vivo, como creio que é o único que funciona bem. A questão é outra. Se posso aplicá-lo na conduta pessoal. Digo isso, porque tentei aplicar os princípios do mercado como minha filosofia para a minha vida. O livro que acabo de escrever: Love and Economics: Why the Laissez Faire Family Doesn’t Work é uma reflexão sobre a minha experiência.
A alternativa de uma família laissez fairenão é uma família autoritária. O contrário de uma família centrada no eué uma família centrada no dar-se. Longe de diminuir ou comprometer o indivíduo, dar-se aos demais membros da família é uma atitude que enriquece o indivíduo.
Uma sociedade livre precisa da família porque a família faz um trabalho que nenhuma outra instituição consegue fazer. Uma família transforma um bebê cheio de impulsos, desejos e emoções em uma pessoa adulta capaz de viver em sociedade. A família ensina a criança a confiar, a cooperar, a controlar desejos. As instituições políticas, sociais e o mercado não conseguem sobreviver a menos que a maioria da população adquira essas competências. Quero repetir: Nossa sociedade democrática, livre, depende de que haja pessoas que saibam se comportar. Nós não nascemos adultos, autônomos, racionais, capazes de correr atrás dos nossos interesses, capazes de fazer e cumprir contratos e outros acordos, capazes de defender nossos direitos. Nascemos como bebês indefesos, necessitados de tudo.

Existe um substituto para a família?

Duas instituições se candidatam.
Da direita, vem a voz de que o Mercado pode ser a solução. Pode-se contratar alguém para cuidar dos nossos filhos.Babás, professores, tutores, psicólogos, etc. E isso acaba acontecendo porque é conveniente. Os pais acabam terceirizando a educação dos filhos porque pensam nos seus interesses e não no que é melhor para uma criança.
Da esquerda, vem a voz de que o Estado pode ser a solução. Programas e instituições públicas podem educar nossos filhos: escolas, clubes, creches, cartilhas educacionais, etc. Se o Estado conseguir fazer funcionar bem tudo isso – o que não tem sido frequente – o máximo que proporciona a uma criança é um cuidador pago para ensinar e ser gentil, mas nunca um membro da família que ama e se dedica a ela.
A economia tem sido uma ciência social bem-sucedida porque se concentra em coisas que são verdadeiras: os seres humanos são egoístas e têm a capacidade de raciocinar. Mas é igualmente verdadeiro que temos a capacidade de amar. Muito de nosso discurso público apresenta essas duas grandes realidades da condição humana, a razão e o amor, em conflito. A direita favorece o cálculo, a abordagem fria, dura, do intelecto: o homem é essencialmente um Conhecedor. A esquerda favorece uma abordagem morna, distorcida, emocional do coração: o homem é essencialmente um Amante. No entanto, a esquerda, em sua forma mais extrema, nos deu o Estado impessoal frio e sua burocracia como resposta aos problemas sociais. A direita, na sua forma mais extrema, nos deu a irracionalidade de tentar reduzir o homem à soma de suas necessidades corporais. Os dois se equivocam.
Precisamos de família, onde aprendemos a pensar e onde aprendemos a amar. E a linguagem da família é entrega, generosidade, dar-se.
 JENNIFER ROBACK MORSE HOOVER INSTITUTION, STANFORD UNIVERSITY



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sábado, 9 de janeiro de 2016

Quanto tempo os pais passam junto dos filhos?




Se você pensa que hoje em dia os pais passam menos tempo com os filhos, está redondamente enganado.

Espere aí! Mas hoje o homem e a mulher trabalham fora, gastam tempo com deslocamentos, horas extras, etc. No passado a mulher ficava em casa, o marido voltava cedo. Como é que pode?
Foi publicado em abril no Journal of Marriage and Family o primeiro estudo de longa duração sobre o tempo que marido e mulher passam com seus filhos. O interessante é que ele recolhe estatísticas desde 1965. Veja o gráfico abaixo:




Há cinquenta anos, pai e mãe passavam 13 horas semanais junto aos filhos. Hoje estão juntos 21 horas!

Daí surgem várias perguntas:

1. As crianças estão melhor educadas? Arrisco-me a dizer que não. Educação não se resume à quantidade, mas a qualidade. Meia hora de atenção e de transmissão de valores vale mais do que horas vendo filmes e internet juntos. E qualidade de tempo com os filhos exige pensar e programar. No improviso, costuma ser bem pouco eficaz.

2. Super pais e mães preocupados com a violência das ruas e os perigos do mundo, tendem a fazer tudo para os filhos: de colocar o tênis no pé, levá-los no clube, até resolverem problemas com a coordenação na universidade onde estudam (sim, isso mesmo). O problema é que superpais geram infra filhos.

3. Com adolescentes, a coisa muda de figura. Parece que já estão criados, mas não estão. Esse mesmo estudo mostra que quando um adolescente faz suas refeições junto dos pais, menor o risco de terem problemas com álcool, drogas e deliquencia. Eles também conseguem melhores notas na escola. Pelos dados obtidos, com apenas boas 6 horas por semana já se conseguem bons resultados com os adolescentes.

Artigo do blog: O Correio Chegou.

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