quinta-feira, 23 de junho de 2016

Guardar o sexo para o casamento ajuda a ter um casamento mais duradouro.

Um novo estudo confirma que noivas virgens possuem as menores taxas de divórcio


A virgindade recebe pouquíssimo espaço na imprensa ou nas telas nesses dias e isso é uma vergonha. Como um novo estudo americano confirma, a mulher que entra virgem em um casamento tem a melhor chance de permanecer casada por cinco anos – e provavelmente além disso. De fato, as chances do seu casamento durar melhoraram ao longo dos últimos 30 anos, da mesma forma que as taxas de divórcio para tais mulheres caíram de 11 por cento nos anos 1980 para 6 por cento nos anos 2000.

A razão possível para isso, diz o autor do estudo, o sociólogo Nicholas H. Wolfinger da Universidade de Utah, é a religião – aquele outro tópico não popular. Seus dados, coletados de três levantamentos do National Survey of Family Growth (Pesquisa Nacional de Crescimento Familiar), mostra que as mulheres que casam virgens são muito mais propensas a frequentar a igreja pelo menos uma vez por semana. Infelizmente, há cada vez menos delas. Quatro décadas atrás, 21 por cento das noivas não tinham parceiro sexual anterior, mas por 2010 esse cenário caiu para 5 por cento, sendo a maioria mulheres religiosas.

(Por agora, você deve estar se perguntando, Ei, mas e quanto aos homens? Wolfinger explica que “o NSFG não possui dados completos sobre o comportamento sexual masculino pré-nupcial, e em todo caso, eles recordam suas próprias histórias conjugais de forma menos confiável que as mulheres.”)

Como você deve esperar, os próximos casamentos mais prováveis de durar são daquelas mulheres que tiveram apenas um parceiro sexual anteriormente – e na maioria dos casos, seus futuros esposos. Seus números, entretanto, caíram de 43 por cento nos anos 1970 para 22 por cento na década atual.

Fonte: NSFG, 2002-2013

As estatísticas dos anos 1970 podem nos surpreender, como fizeram a Wolfinger. Ainda que a revolução sexual estivesse bem encaminhada, ele observa, quase dois terços das noivas tinham no máximo um parceiro sexual antes de se casarem.
“Até mesmo nos anos 1980, pouco mais da metade das mulheres tiveram no máximo um parceiro sexual antes de caminharem ao altar. As coisas pareceram bem diferentes no começo do novo milênio.”
Pelos anos 2010, o número de noivas que tiveram vários parceiros sexuais subiu de forma significante. Aquelas que tiveram 10 ou mais parceiros foram de 2 por cento para 18 por cento. Como você poderia esperar, esse grupo possui as mais elevadas taxas de divórcio com cinco anos – mas apenas a partir de 2000. Antes disso, mulheres com dois parceiros antes do casamento tiveram as maiores taxas de divórcio – por volta de 30 por cento – em comparação com aquelas com mais parceiros.

Isso novamente é surpreendente, Wolfinger admite. Ele sugere um par de razões:

* Mulheres com dois parceiros sexuais anteriores devem ter alguma criança de outro relacionamento quando casam, e isso é conhecido por ter um “efeito negativo profundo na felicidade conjugal”, bem como traz um risco mais alto de divórcio.

* “Comparações mais enfáticas”:
“Na maioria dos casos, os dois parceiros sexuais pré-nupciais de uma mulher incluem seu futuro esposo e outro homem. Este segundo parceiro sexual é a prova em primeira mão de uma alternativa sexual para o esposo dela. Essas experiências sexuais convencem as mulheres que sexo fora do casamento é, de fato, uma possibilidade. O homem envolvido era mais propício a ter se tornado um parceiro no decorrer de um relacionamento sério - mulheres inclinadas a ter encontros sexuais terão tido mais que dois parceiros pré-nupciais – enfatizando assim a gravidade da alternativa. Claro, mulheres aprendem sobre a viabilidade do sexo fora do casamento, se elas têm múltiplos parceiros pré-nupciais, mas com vários parceiros, cada um representa uma menor parte da biografia sexual e romântica da mulher. Ter dois parceiros pode conduzir a uma incerteza, porém ter um pouco mais, aparentemente, conduz a uma maior clareza sobre o homem certo para casar. As chances de divórcio são menores com zero ou um parceiro antes do casamento, mas de maneira diferente, se relacionar com muitos parece ser mais compatível com ter um matrimônio duradouro.”
Bem, durando cinco anos, pelo menos. Mas isso deixa de ser o caso (estatisticamente) além de 10 parceiros: “muitos parceiros significam muita bagagem, a qual faz um casamento estável menos sustentável”. Wolfinger ainda especula sobre essa correlação, se é verdadeira ou falsa, e nota que a diferença entre esse grupo e o de mulheres com dois parceiros pré-nupciais, quando se trata de divórcio, não é significante.

O ponto principal, de qualquer maneira: “As chances de divórcio são menores com zero ou um parceiro pré-nupcial.”

Finalmente, Wolfinger nota que esses resultados permanecem substancialmente verdadeiros após a observação dos efeitos de outras características sociais e demográficas de mulheres. Alguns desses fatores, contudo, explicaram mais que outros:
“Além da religião, raça e família de origem explicam a maior parcela da relação de parceiros sexuais/divórcio. Mulheres caucasianas e Afro-americanas tiveram um comportamento sexual pré-nupcial semelhante, mas as latinas e membras da população do grupo “Outras” tiveram notavelmente menos parceiros sexuais e taxas de divórcio menores que as brancas ou negras. Similarmente, pessoas que cresceram sem ambos os pais tiveram mais parceiros e divorciaram mais. Dados psicométricos detalhados seriam necessários para explicar melhor a relação entre números de parceiros sexuais e estabilidade matrimonial.”
Talvez alguém possa concluir que o fator racial é largamente explicado pela estrutura familiar. Faz sentido que vir de uma família intacta dá proteção contra o divórcio à pessoa. E a prática religiosa torna essa proteção ainda mais forte. Isso não é surpresa, ainda que outros aspectos do estudo sejam.


Artigo do blog: MercatorNet

Inscreva-se na nossa lista de e-mails!
Você pode nos escrever aqui nos comentários ou nos enviar sua dúvida sobre esta e todos as outras matérias pelo e-mail: donamoroaosfilhos@gmail.com

sábado, 18 de junho de 2016

Laços de família

Islã, homofobia e armas: todos tiveram um papel na tragédia de Orlando.
Mas e quanto às disfunções familiares?



O que pode ter motivado Omar Siddiqui Mateen a matar 49 pessoas que se encontravam na casa noturna Pulse durante a madrugada do último domingo?

(a) Terrorismo islâmico
(b) Homofobia
(c) Pouco controle do porte de armas

A melhor alternativa pode ser "nenhuma das alternativas acima". A pressa em encontrar uma maneira de explicar os motivos da mente problemática de Omar é absurda - entretanto, previsível por se tratar de um ano eleitoral nos Estados Unidos.

Para o candidato republicano Donald Trump, o massacre em Orlando oferece uma oportunidade de ouro para incitar o medo da religião islâmica, refugiados e imigrantes, legais e ilegais. "Aprecio os parabéns por estar certo sobre o terrorismo islâmico radical", escreveu ele em seu twitter após a explosão da notícia. "Eu não desejo os parabéns, mas peço fortaleza e vigilância. Precisamos ser espertos!".

A candidata democrata Hillary Clinton, por outro lado, focou no argumento sobre o controle de armas e solidarizou-se com a comunidade LGBT. "Para todas as pessoas LGBT de luto neste dia: vocês possuem milhões de aliados que estarão sempre ao lado de vocês. Eu sou uma delas" foi sua mensagem.

Em um discurso no dia 13, ela enfatizou ser resistente contra terroristas e armas. "Nós enfrentamos uma ideologia torta e uma psicologia envenenada que inspira os chamados 'lobos solitários'", declarou. Mas ela também argumentou que "se o FBI está te investigando por conexões suspeitas com o terrorismo, você não deveria conseguir comprar uma arma sem ao menos algumas perguntas".

Nós mal sabemos alguma coisa sobre os impulsos tóxicos que irrompiam no cérebro de Omar. É possível até mesmo que ele tenha sido homossexual. Diversos jornais noticiaram que ele costumava frequentar a boate Pulse e usar aplicativos de celular para se conectar com outros homens, o que ainda está para ser confirmado.

A situação não fica mais clara se a tragédia é rotulada como homofobia. Os alvos da fúria de Dylann Roof no ano passado em Charleston foram cristãos, mas chamar essas mortes de "cristanofobia" verte pouca luz sobre o assunto. Omar invocou o islã, mas parecido ter sido apenas um lobo solitário. Com ou sem o islamismo como pretexto, ele e Dylann podem ter cometido o mesmo crime.

O motivo que consegue conectar a maior parte daqueles que executaram um assassinato em massa nos últimos anos não foi mencionado pelos candidatos ou pelos especialistas. É a vida familiar conturbada.

Pouca coisa foi revelada acerca da família em meio a qual Omar cresceu, mas sabe-se que seu pai é um sujeito ímpar que concorreu a presidente do Afeganistão no conforto de sua sala-de-estar na Flórida. Sua mãe, entretanto, é notável por sua completa inexistência em qualquer reportagem midiática. Por alguma razão, Omar decidiu mudar seu sobrenome ao atingir os 20 anos, o que sugere que havia algum tipo de tensão entre ele e seus familiares.

Independente de como foi a sua vida quando criança, ele falhou como marido e pai. O seu casamento com uma mulher do Uzbequistão, Sitora Yusifiy, durou cerca de quatro meses. Ela reclamava de agressão física. Depois ele se casou novamente e teve um filho, o qual já possui 3 anos de idade.

Este é o tipo de perfil que a maioria desses assassinos possuem: lares e casamentos miseráveis. Anders Breivik, o norueguês que matou 77 pessoas em 2011, parece ter adicionado apenas um capítulo à sua história doméstica. O seu pai abandonou-o quando ele tinha 1 ano de idade. Para ele, foi o segundo de três casamentos. A sua mãe, em acréscimo, também teve três companheiros. É estranho perceber como os autores americanos de tiroteios em massa possuem planos de fundo similares.

Dylann Roof, que matou nove pessoas em uma igreja de Charleston (Carolina do Sul) no ano de 2015 veio  de uma família severamente conturbada. O seu pai divorciou-se de sua mãe e ele passou a ser criado por sua madrasta.

John Zawahiri, 23, matou cinco pessoas em Santa Mônica no ano de 2013 próximo ao campus de uma universidade estadual. Seus pais haviam se separado há anos.

Em dezembro de 2012, Adam Lanza, 20, matou sua própria mãe, seis funcionários em uma escola primária de Connecticut, e mais vinte estudantes antes de atirar em si mesmo. Seus pais eram divorciados.

Wade Page era um defensor da supremacia branca que matou seis adeptos do siquismo em Milwaukee antes de ser morto por um oficial no início de agosto de 2012. Seus pais eram divorciados.

No outubro de 2011, um homem da Califórnia (Scott Evans Dekraai, 41) entrou no salão de beleza de sua ex-esposa, matando ela e outras sete pessoas a tiro. Seus pais eram divorciados.

Os Estados Unidos possuem uma lista longa, muito longa, de homens (quase sempre são homens) com histórias conturbadas que carregam armas e matam várias pessoas. Não são todos que vêm de lares despedaçados, mas é bastante provável que, na maioria dos casos, suas dinâmicas familiares eram ruins.

Não sabemos ao certo porque ninguém está perguntando. Pesquisas sobre a cultura do casamento, como reportadas pela mídia, parecem sempre focar em encontrar justificativas plausíveis para o casamento de pessoas do mesmo sexo em vez de investigar as tóxicas consequências de um divórcio.

É mais fácil criticar as leis de controle de armas do que criticar a cultura do divórcio e a destruição que ela causa tanto na vida das crianças como na dos esposos. Mas, como comentado em 2014 no MercatorNet, após Elliot Rodger, 22, atirar e esfaquear pessoas na Universidade de Califórnia em Santa Bárbara e matar seis delas, "talvez eles não precisariam mais do controle de armas se tivessem um melhor controle do divórcio".

Como rifles de assalto prontamente disponíveis, a homofobia e o islamismo radical são fatores do último massacre. Mas não os únicos fatores. Militar em favor das alternativas do controle de armas, da homofobia e do islamismo radical não extinguirá a raiva da mente dos filhos que sofrem com o divórcio.

Postado originalmente em MercatorNet por Michael Cook.
Para acessar o conteúdo original, clique aqui.
Inscreva-se em nossa lista de e-mails!

Você pode escrever aqui nos comentários ou nos enviar sua dúvida sobre esta e todas as outras matérias pelo e-mail: donamoroaosfilhos@gmail.com.
Traduzido e adaptado por Maurício Borges.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Presença da família Gomes no aniversário de Dom Luiz de Orleans e Bragança



A família Gomes esteve presente na  missa em ação de graças pelo aniversário de S.A.I.R. Dom Luiz de Orleans e Bragança no dia 05/06/2016 no Outeiro da Glória. Infelizmente, ele não pôde estar presente, mas seu irmão, Dom Bertrand, foi muito atencioso com todos os presentes e aceitou tirar essa foto conosco.


Para quem tiver interesse seguem alguns vídeos sobre a monarquia.



Entrevista de Dom. Bertrand.



Palestra de Dom. Bertrand.


A ciranda republicana


sexta-feira, 27 de maio de 2016

Relato de Parto do Bernardo - Parte II

Para ler a parte I, clique aqui!



 Continuação:

   Como eu ainda estava meio molhada do banho, não consegui distinguir a cor do líquido amniótico. Percebi claramente que poderia ser a bolsa por que senti que era algo bem quentinho e eu estava acabando de sair de um banho frio…

   Essa notícia foi uma injeção de ânimo para mim. Eu sabia que, além do fato de minha pressão ter alterado um pouquinho, outro fator que preocupava minha equipe era o fato de que eu já estava com 41 semanas e um dia de gestação. Não há nenhum problema nisso, claro, mas a questão era que os pequenos riscos da minha pressão estavam se somando aos pequenos riscos de uma gravidez prolongada… e é aí que morava o problema.

   Assim, pensei que quando eu contasse às minhas enfermeiras que a bolsa havia estourado eu poderia continuar em casa, afinal o trabalho de parto ia começar e não precisaríamos nos preocupar com os riscos de chegar a 42 semanas. Não foi assim! Aos riscos já mencionados só se somou mais um: Com a bolsa rota e sem previsão de início do trabalho de parto, o caminho ficava mais livre para possíveis infecções.

   Minha equipe ia sugerir que eu me internasse no dia seguinte para fazer uma indução, mas, diante do cenário de bolsa rota, a recomendação foi a de que eu fosse para o hospital ainda naquela noite. Deitei na cama para que elas apalpassem a minha barriga e avaliassem o Bernardo. Mal tive tempo de me levantar, saí correndo para o banheiro. Mais líquido amniótico! E, dessa vez, muuuuuuito mais! É muita esquisita essa sensação.

   As enfermeiras analisaram o líquido e identificaram a presença de mecônio (o que era normal naquela altura do campeonato), mas isso a princípio não era um problema, porque o líquido estava bem fluido. Liguei para a minha doula meio atordoada e pedi que ela conversasse com uma das enfermeiras. Seria possível que isso estivesse realmente acontecendo? Estava angustiada porque meus planos estavam indo por água a baixo.

   Sonhei com meu parto domiciliar. Preparamos cada detalhe, aluguei o oxigênio, higienizei e esterilizei as fraldinhas de pano que iam tocar a pele do meu filho, comprei uma lona de plástico para a piscininha… Todo esse ideal tão acalentado por mim não aconteceria mais, e isso dói aceitar. Doeu também saber que eu teria de ir para o hospital sem estar em trabalho de parto e me preparar para a tão temida indução com ocitocina sintética, que faz os mais bravos mortais verem estrelas em poucos minutos.

   Preparei minhas bolsas, jantei e esperei minha doula chegar. Fomos com calma para o hospital e chegamos lá por volta das 23h. Uma das enfermeiras da minha equipe nos encontrou lá e passou o meu caso para o médico do plantão, o dr. A. Até hoje não sei exatamente se cheguei ao hospital com 0 ou 1 cm de dilatação, mas o médico disse que meu colo estava fechado e que não havia mecônio no líquido amniótico. As alterações de pressão que relatei foram solenemente ignoradas, talvez porque para um ambiente hospitalar não fossem assim tão relevantes.

   Fiz minha primeira cardiotocografia e, de vez em quando, eu já estava começando a sentir algumas contrações, mas bem de leve. Dormi na enfermaria com meu marido por volta das 3 da madrugada. Na manhã seguinte, resolvi me exercitar para tentar acelerar o processo e ver se o trabalho de parto engatava. Caminhei na varanda do hospital e fui marcando o tempo do intervalo entre as contrações, que estava bem irregular. 10 min, 12 min, 5 min (!)...20 min (?)… enfim.

   Aqui cabe uma pequena explicação para quem talvez não esteja entendendo muito bem. A vida real não é como na TV, em que logo que a bolsa rompe a grávida sai correndo desesperada para o hospital e dá à luz o filho 5 minutos e 3 gritos depois. O rompimento da bolsa não significa o início do trabalho de parto. A grande maioria das mulheres entra em trabalho de parto em até 24 horas depois que a bolsa rompe, mas para outras esse tempo pode chegar a 48 e, em alguns casos, até 72 horas.

   Mas..o que é trabalho de parto? Podemos dizer que a gestante está em trabalho de parto quando suas contrações vem em curtos intervalos regulares. Algo em torno de 3 em 3 minutos, por exemplo. Contrações irregulares são os chamados pródromos, e podem ocorrer até semanas antes do trabalho de parto em si. É o corpo se preparando para o grande acontecimento que está por vir, e não há nada de estranho nisso.

   Infelizmente muitas mulheres não sabem disso, e mal começam as primeiras contrações, imediatamente vão para a maternidade. É daí que surgem as famosas indicações de cesarianas por “falta de dilatação”. Ora, se não se espera o tempo necessário para que o trabalho de parto comece, o mais natural é que não haja dilatação ainda.

   Além disso, quando essas gestantes chegam ao hospital, podem ficar muito ansiosas. A pressão de “ter que entrar” em trabalho em até X horas, e muitas vezes sem poder se alimentar ou caminhar livremente, faz com que fiquem nervosas, o que pode atrasar ainda mais as coisas.

   Voltemos ao meu relato. Estamos na manhã do dia 28 de março, dia em que eu estava particularmente inclinada a desejar que meu filho nascesse. Quando soube que meu filho provavelmente nasceria em março, quis muito que fosse no dia 19 (São José) ou 25 (Anunciação), que são festas pelas quais tenho particular devoção para mim.

   Passaram essas datas, entretanto, e nada do meu Bernardo querer sair do quentinho da barriga. Quando me vi tendo de ir ao hospital fiz uma breve pesquisa e descobri que 28 de março era também uma data muito especial: a ordenação de São Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei! Isso me deixou animada, mas mal sabia eu que o molequinho só nasceria dia 29 (!).

   Me vejo sendo chamada para a primeira avaliação com a médica responsável pela enfermaria. “Suas contrações não estão fortes o suficiente” e “Você só tem 2 cm de dilatação” foram os dados considerados para o veredito: Ela queria me encaminhar para a indução. Isso era algo que eu não queria de jeito nenhum, afinal eu ainda tinha (estatisticamente) muitas chances de entrar em trabalho de parto naturalmente nas próximas horas, sem precisar passar pelas dores tão fortes que o hormônio sintético me traria.

   Argumentei que eu ainda não tinha 18 horas de bolsa rota, o que imaginei ser o máximo que o hospital esperava antes de indicar indução. A médica começou a me dizer que induzir não era tão ruim assim e que ela mesma tinha passado por isso. “Seu colo está favorável. Não será preciso iniciar a indução com misoprostol, poderá começar direto com a ocitocina”, consolou a dra. Perguntei se eu poderia optar por não induzir ainda, afinal acreditava que o protocolo do hospital me amparasse para tal. “Tenho que fazer o meu papel, vou te indicar para o médico de plantão. Lá você conversa com ele”, disse ela. Lá fui eu.

Continua...

domingo, 8 de maio de 2016

A alegria de ser mãe

Neste domingo*, dia 8 de maio, comemoramos o dia das mães. É, portanto, uma interessante oportunidade para considerarmos o que é ser mãe neste início de milênio.

Em sua recém lançada exortação apostólica Amoris Lætitia, o Papa Francisco aborda a situação da família na atualidade: “O sentimento de ser órfãos, que hoje experimentam muitas crianças e jovens, é mais profundo do que pensamos. Hoje reconhecemos como plenamente legítimo, e até desejável, que as mulheres queiram estudar, trabalhar, desenvolver as suas capacidades e ter objetivos pessoais. Mas, ao mesmo tempo, não podemos ignorar a necessidade que as crianças têm da presença materna, especialmente nos primeiros meses de vida. A realidade é que «a mulher apresenta-se diante do homem como mãe, sujeito da nova vida humana, que nela é concebida e se desenvolve, e dela nasce para o mundo». O enfraquecimento da presença materna, com as suas qualidades femininas, é um risco grave para a nossa terra. Aprecio o feminismo, quando não pretende a uniformidade nem a negação da maternidade. Com efeito, a grandeza das mulheres implica todos os direitos decorrentes da sua dignidade humana inalienável, mas também do seu génio feminino, indispensável para a sociedade. As suas capacidades especificamente femininas – em particular a maternidade – conferem-lhe também deveres, já que o seu ser mulher implica também uma missão peculiar nesta terra, que a sociedade deve proteger e preservar para bem de todos”.

A sociedade moderna impõe sobre a mulher um fardo muitas vezes desumano. Desde cedo se martela na cabeça das meninas a necessidade do sucesso profissional que lhes assegure autonomia e independência. Como consequência, são lançadas num mercado cada vez mais competitivo. Nesse cenário, a mulher se vê compelida a dedicar cada vez mais tempo e esforço ao trabalho. Isso, porém, não raras vezes, impede, ofusca ou quando menos protela demasiadamente a maternidade.

E, quando vêm os filhos, muitas vezes as mulheres se veem diante de uma injusta distribuição dos encargos, cabendo a ela grande parte dos afazeres do lar, ao que se somam as inúmeras obrigações profissionais. Assim, se a sociedade moderna se beneficia com o trabalho da mulher, muito bem desempenhado nos mais diversos setores, urge que o homem assuma a sua grave responsabilidade perante a família, a esposa e os filhos. Novamente são palavras do Papa: “a figura do pai ajuda a perceber os limites da realidade, caracterizando-se mais pela orientação, pela saída para o mundo mais amplo e rico de desafios, pelo convite a esforçar-se e lutar. Um pai com uma clara e feliz identidade masculina, que por sua vez combine no seu trato com a esposa o carinho e o acolhimento, é tão necessário como os cuidados maternos. Há funções e tarefas flexíveis, que se adaptam às circunstâncias concretas de cada família, mas a presença clara e bem definida das duas figuras, masculina e feminina, cria o âmbito mais adequado para o amadurecimento da criança”.

Há um saudável e necessário feminismo, que não busca uma uniformidade entre homem e mulher, o que seria irreal e artificial. Não há numa relação conjugal superioridade nem muito menos hierarquia, o que nos deve levar a lutar para aprimorar cada vez mais a igualdade jurídica. Isso, porém, não nos impede reconhecer que há uma inegável diferença que permite que se manifeste a complementaridade. Homem e mulher, precisamente por serem diferentes, proporcionam um ao outro o que esse não tem, desenhando-se assim um caminho necessário para se atingir a plenitude do amor na união conjugal.

“As mães são o antídoto mais forte contra o propagar-se do individualismo egoísta. (...) São elas que testemunham a beleza da vida, Sem dúvida, «uma sociedade sem mães seria uma sociedade desumana, porque as mães sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação, a força moral”. Como homenagem ao seu dia que se aproxima, que saibamos ser bons filhos, fazendo eco em nossas vidas das sábias palavras do Papa Francisco: “Queridas mães, obrigado, obrigado por aquilo que sois na família e pelo que dais à Igreja e ao mundo”

*Adaptado

Artigo do blog: Portal da Família

Inscreva-se na nossa lista de e-mails!

Você pode nos escrever aqui nos comentários ou nos enviar sua dúvida sobre esta e todos as outras matérias pelo e-mai: donamoroaosfilhos@gmail.com.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Relato de Parto do Bernardo - Parte I





Quando eu estava grávida do Bernardo tinha o costume de ler relatos de parto. Acreditava que conhecer a história de outros nascimentos me ajudaria a estar mais pronta para quando o dele chegasse. Lembro especialmente de ter lido um blog em que a mãe só havia escrito o relato um bom tempo depois do nascimento do filho e, confesso, achei um pouco estranho ela ter demorado tanto assim. Como o mundo dá voltas! Pois bem, aqui estou eu - que já procrastinei demais esse assunto - 403 dias depois do dia 29/3/2015 para contar a vocês como o meu parto domiciliar se transformou em uma muito bem indicada cesariana.

Como muitos já sabem, o Brasil é o campeão mundial de cesáreas. Existem muitos fatores que contribuem para esse lamentável resultado, mas esse não é o momento de falar sobre eles. Basta dizer que a grande maioria das cesarianas é desnecessária e que é muito raro encontrar um médico que faça - não apenas diga que faça - partos normais pelo plano de saúde sem cobrar nenhum valor a mais por isso.

Diante desse cenário um tanto quanto aterrador restam poucas opções:1.  Aceitar uma cesariana desnecessária e, com ela, todos os riscos desse procedimento cirúrgico; 2. Pagar uma média de 12 mil reais (!) para um médico particular, 3. Optar por um parto domiciliar assistido por enfermeiras obstetras e 4. Recorrer ao SUS. Eu decidi ter um parto domiciliar.

Esse tipo de atendimento não é tão comum no Brasil, mas em outros países sim. Para gestantes de risco habitual ( ou de baixo risco, como se dizia antigamente), essa “modalidade” de parto tem tantos riscos quanto um parto hospitalar, com a vantagem de que você pode esperar o tempo do seu bebê no conforto e tranquilidade da sua casa, que é onde muitas pessoas se sentem mais seguras. Dito isso, vamos ao relato em si.

Comecei meu pré-natal com um médico do plano, indicado por uma amiga. Ela dizia que ele fazia partos normais, então resolvi conferir. A consulta foi muito rápida e sai de lá não muito confiante. Pesquisei sobre ele na internet e encontrei um fórum em que muitas pessoas o elogiavam pelas maravilhosas cesarianas que ele tinha feito. Só encontrei um relato de parto normal (bastante elogioso até, em que a pessoa dizia que ele tinha aberto mão de uma viagem para realizar seu parto).
Juntei esses dados ao fato de que, no fim das contas, a maioria esmagadora dos médicos que se dizem abertos à possibilidade de parto normal acaba desistindo no frigir dos ovos. Não quis pagar pra ver. Comecei a me consultar com uma médica particular famosa por fazer partos naturais e o plano me reembolsava o valor das consultas. Foi maravilhoso! As consultas demoravam o tempo necessário para resolver todas as minhas dúvidas e ela me deixava muito confiante.

Infelizmente eu já sabia que ela não faria meu parto, afinal eu não podia pagar os 9 mil que ela cobrava na época. Eu também não teria mais aquele plano de saúde super legal para me reembolsar porque meu estágio terminaria antes da data provável do parto. Resolvi que teria o Bernardo no Hospital Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda, do SUS, no centro do Rio.

Esse hospital é bem famoso por apoiar o parto natural e só realizar intervenções médicas com indicações de real necessidade. Fui até lá visitar, assisti a palestra que eles oferecem e me encantei. Entrei em contato com uma mãe que deu à luz lá e também foram só elogios. No entanto, eu havia contratado uma doula e ela sabia o quanto a ideia do parto domiciliar me encantava. Fui bastante encorajada por ela e, conversando com o meu marido, mudamos os planos. Tentaríamos um parto domicilar e, caso não fosse possível, eu iria para o Maria Amélia.

Iniciei o pré-natal com minha equipe de parto quando completei 33 semanas, se não me equivoco. As consultas eram quinzenais e na minha casa. No final da gestação passaram a ser semanais, e agradeço a Deus por não ter precisado sair da minha casa com um barrigão tão grande para ir ao pré-natal.

Completei 40 semanas e nada do rapaz se manifestar. Bernardo já estava de cabeça pra baixo, mas minhas enfermeiras sempre diziam que ele ainda não havia descido totalmente, o que me deixava mais apreensiva e ansiosa para que a data chegasse logo. Recomendaram que eu pintasse a barriga, escrevesse uma carta de despedida.. Formas de ajudar o meu psicológico a enviar uma simpática “carta de despejo” ao meu preguiçoso inquilino. Não fiz nada disso.

Faltando pouco mais de uma semana para o Bernardo nascer, foi detectada uma pressão arterial de 11,9 na consulta. “Nada demais”, em tese. As enfermeiras pediram que eu aferisse a pressão durante todos os dias durante uma semana e fizesse alguns exames de sangue para excluir a possibilidade de pré-ecâmpsia. É que esse quadro é caracterizado por uma pressão de 14,9 ou dois “14” (máxima) ou dois “9” (mínima). Não sei se me explico direito.

Meus exames estavam ótimos, mas durante a semana seguinte minha mãe (que é técnica de enfermagem e aferiu minha pressão todos os dias como recomendado) detectou um 12,9. Verificamos de novo e apareceu um 13,9 (?). Comuniquei às enfermeiras e, inicialmente, isso não pareceu um problema, já que meus exames de sangue estavam ok.

Passados alguns dias, uma das enfermeiras me liga e diz que elas haviam levado meu caso para um grupo de discussão (do qual fazia parte aquela médica particular que me acompanhou). Minha equipe queriam marcar uma conversa comigo e meu marido naquela noite (27/03), porque acreditavam que não era mais 100% seguro investir no parto domiciliar.

Por mais que não fossem tão preocupantes aqueles indícios da minha pressão, qualquer risco fora do habitual já me excluía do grupo de gestantes elegíveis a um parto domiciliar assistido. Fiquei um pouco chateada, mas satisfeita com a responsabilidade e o cuidado delas.

Quando faltavam cerca de 15 minutos para que as enfermeiras chegassem à minha casa para a reunião, eu estava saindo do banho. Ao me enxugar, senti um líquido quente escorrer e gritei minha mãe para que ela me ajudasse a ver se era realmente o que eu estava pensando. E Era. A bolsa estourou!


(Continua…)

sábado, 16 de abril de 2016

Dicas do Papa: 50 conselhos para as famílias


Gostaríamos de divulgar aos leitores do blog diversos ensinamentos que vieram das catequeses do Santo Padre de dezembro de 2014 a setembro de 2015. Esperamos que aproveitem:
  1. «Com licença», «obrigado», «desculpa». Estas palavras realmente abrem o caminho para viver bem na família, para viver em paz. Tratam-se de palavras simples, mas não tão fáceis de pôr em prática! Elas encerram em si uma grande força: o vigor de proteger o lar, até no meio de inúmeras dificuldades e provações; ao contrário, a sua falta gradualmente abre fendas que até o podem fazer ruir. (13 de maio de 2015)

  2. A primeira palavra é «com licença». Quando nos preocupamos em pedir gentilmente até aquilo que talvez julguemos que podemos pretender, construímos um verdadeiro baluarte para o espírito da convivência matrimonial e familiar. Entrar na vida do outro, mesmo quando faz parte da nossa existência, exige a delicadeza de uma atitude não invasiva, que renova a confiança e o respeito. Em síntese, a confidência não autoriza a presumir tudo. E quanto mais íntimo e profundo for o amor, tanto mais exigirá o respeito pela liberdade e a capacidade de esperar que o outro abra a porta do seu coração. (13 de maio 2015)

  3. Antes de fazer algo em família: «Com licença, posso fazer isto? Queres que eu faça assim?». Uma linguagem bem educada, mas cheia de amor. E isto faz bem às famílias. (13 de maio 2015)

  4. O cristão que não sabe agradecer é alguém que se esqueceu da língua de Deus. (13 de maio 2015)

  5. Certa vez ouvi uma pessoa idosa, muito sábia, boa e simples, mas dotada da sabedoria da piedade e da vida, que dizia: «A gratidão é uma planta que só cresce na terra de almas nobres». Esta nobreza de alma, esta graça de Deus na alma impele-nos a dizer obrigado à gratidão. É a flor de uma alma nobre. E isto é bonito! (13 de maio 2015)

  6. A terceira palavra é «desculpa». Certamente, é uma palavra difícil, e no entanto é deveras necessária. Quando ela falta, pequenas fendas alargam-se — mesmo sem querer — até se tornar fossos profundos. (13 de maio 2015)

  7. Reconhecer que erramos e desejar restituir o que tiramos — respeito, sinceridade, amor — torna-nos dignos do perdão. É assim que se impede a infecção. Se não soubermos pedir desculpa, quer dizer que também não seremos capazes de perdoar. No lar onde as pessoas não pedem desculpa começa a faltar o ar, e a água estagna-se. Muitas feridas dos afetos, muitas dilacerações nas famílias começam com a perda deste vocábulo precioso: «Desculpa». (13 de maio 2015)

  8. Na vida matrimonial muitas vezes há desacordos... e chegam a «voar pratos», mas dou-vos um conselho: nunca termineis o dia sem fazer as pazes. Ouvi bem: esposa e esposo, brigastes? Filhos e pais, entrastes em forte desacordo? Não está bem, mas o problema não é este. O problema é quando este sentimento persiste inclusive no dia seguinte. Por isso, se brigastes, nunca termineis o dia sem fazer as pazes em família. E como devo fazer as pazes? Ajoelhar-me? Não! A harmonia familiar restabelece-se só com um pequeno gesto, com uma coisinha. É suficiente uma carícia, sem palavras. Mas nunca permitais que o dia em família termine sem fazer as pazes. Entendestes isto? Não é fácil, mas é preciso agir deste modo. Assim a vida será mais bonita. (13 de maio 2015)

  9. Jesus nasceu numa família. Ele podia ter vindo de modo espetacular, ou como um guerreiro, um imperador... Mas não: veio como filho, numa família. Isto é importante: ver no presépio esta cena tão bonita! [...] A família de Nazaré compromete-nos a redescobrir a vocação e missão da família, de cada família. (17 de dezembro 2014)

  10. Não é difícil imaginar o que as mães poderiam aprender do esmero de Maria pelo seu Filho! E quanto os pais poderiam aprender do exemplo de José, homem justo, que dedicou a sua vida para apoiar e defender o Menino e a Esposa — a sua família — nas horas difíceis! Sem mencionar quanto os jovens poderiam ser encorajados por Jesus adolescente a entender a necessidade e a beleza de cultivar a sua vocação mais profunda, e de fazer sonhos grandiosos! E nestes trinta anos Jesus cultivou a sua vocação, para a qual o Pai o enviara. E nessa época Jesus nunca desanimou, mas cresceu em coragem, para ir em frente com a sua missão. (17 de dezembro 2014)

  11. Cada família cristã — como Maria e José — pode primeiro acolher Jesus, ouvi-lo, falar com Ele, conservá-lo, protegê-lo e crescer com Ele, e assim melhorar o mundo [...] Esta é a grande missão da família: deixar lugar a Jesus que vem, acolher Jesus na família, na pessoa dos filhos, do marido, da esposa, dos avós... Jesus está aí. É preciso acolhê-lo ali, para que cresça espiritualmente naquela família. (17 de dezembro 2014)

  12. As mães são o antídoto mais forte contra o propagar-se do individualismo egoísta. «Indivíduo» quer dizer «que não se pode dividir». As mães, ao contrário, «dividem-se», a partir do momento que hospedam um filho para o dar à luz e fazer crescer. [...] Ser mãe não significa somente colocar um filho no mundo, mas é também uma escolha de vida. [...] Uma sociedade sem mães seria uma sociedade desumana, porque as mães sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação, a força moral. Sem as mães, não somente não haveria novos fiéis, mas a fé perderia boa parte do seu calor simples e profundo. (7 de janeiro 2015)

  13. É verdade que deves ser «companheiro» do teu filho, mas sem esquecer que és o pai! Se te comportas só como um companheiro igual ao teu filho, isto não será bom para o jovem. (28 de janeiro 2015)

  14. a primeira necessidade é precisamente esta: que o pai esteja presente na família. Que se encontre próximo da esposa, para compartilhar tudo, alegrias e dores, dificuldades e esperanças. E que esteja perto dos filhos no seu crescimento: quando brincam e quando se aplicam, quando estão descontraídos e quando se sentem angustiados, quando se exprimem e quando permanecem calados, quando ousam e quando têm medo, quando dão um passo errado e quando voltam a encontrar o caminho; pai presente, sempre. Estar presente não significa ser controlador, porque os pai demasiado controladores anulam os filhos e não os deixam crescer. (4 de fevereiro 2015)

  15. Quanta dignidade e quanta ternura na expectativa daquele pai que está à porta de casa, à espera do regresso do filho! Os pais devem ser pacientes. Muitas vezes nada se pode fazer, a não ser esperar; rezar e esperar com paciência, doçura, generosidade e misericórdia. (4 de fevereiro 2015)

  16. O pai que sabe corrigir sem aviltar é o mesmo que sabe proteger sem se poupar. Certa vez ouvi numa festa de casamento um pai dizer: «Às vezes tenho que bater um pouco nos filhos... mas nunca no rosto, para não os humilhar». Que bonito! Tem o sentido da dignidade. Deve punir, mas fá-lo de modo correto e vai em frente. (4 de fevereiro 2015)

  17. Os filhos têm necessidade de encontrar um pai que os espera quando voltam dos seus fracassos. Farão de tudo para não o admitir, para não o revelar, mas precisam dele; quando não o encontram, abrem-se feridas difíceis de cicatrizar. (4 de fevereiro 2015)

  18. Os filhos são a alegria da família e da sociedade. Não são um problema de biologia reprodutiva, nem um dos numerosos modos de se realizar. E muito menos uma posse dos pais... Não, os filhos constituem um dom [...] ser filho e filha, segundo o desígnio de Deus, significa trazer em si a memória e a esperança de um amor que se realizou precisamente acendendo a vida de outro ser humano, original e novo. E para os pais cada filho é singular, diferente, diverso. (11 de fevereiro 2015)

  19. Um filho é amado porque é filho: não porque é bonito, nem porque é assim ou diverso; não porque é filho! Não porque pensa como eu, nem porque encarna as minhas aspirações. O filho é filho: uma vida gerada por nós, mas destinada a ele, ao seu bem, ao bem da família, da sociedade, da humanidade inteira. (11 de fevereiro 2015)

  20. A experiência humana do ser filho e filha, que nos permite descobrir a dimensão mais gratuita do amor, que nunca cessa de nos surpreender. É a beleza de ser amado primeiro: os filhos são amados antes de chegar. Quantas vezes encontro na praça mães que me mostram a sua barriga, pedindo a bênção... estas crianças são amadas antes de vir ao mundo. É algo gratuito, isto é amor; elas são amadas antes do nascimento, como o amor de Deus que nos ama sempre antes. (11 de fevereiro 2015)

  21. Os filhos são amados antes de terem feito algo para o merecer, antes de saber falar ou pensar, até antes de vir ao mundo! Ser filho é a condição fundamental para conhecer o amor de Deus, que é a fonte derradeira deste autêntico milagre. (11 de fevereiro 2015)

  22. Uma sociedade de filhos que não honram os pais é uma sociedade sem honra; quando não se honram os pais perde-se a própria honra! É uma sociedade destinada a encher-se de jovens áridos e ávidos. (11 de fevereiro 2015)

  23. Se uma família generosa de filhos é considerada como se fosse um peso, algo não funciona [...] A vida rejuvenesce e adquire energias multiplicando-se: enriquece-se, não empobrece! Os filhos aprendem a responsabilizar-se pela sua família, amadurecem na partilha dos seus sacrifícios, crescem no apreço dos seus dons. (11 de fevereiro 2015)

  24. Cada um de nós pense intimamente nos seus próprios filhos — se os tiver — mas em silêncio. E todos nós pensemos nos nossos pais e demos graças a Deus pelo dom da vida. Em silêncio! Quantos têm filhos, pensem neles, e todos pensemos nos nossos pais. O Senhor abençoe os nossos pais e os vossos filhos! (11 de fevereiro 2015)

  25. Todos nós conhecemos famílias com irmãos divididos, que discutiram; peçamos ao Senhor por estas famílias — talvez na nossa família haja alguns casos — que as ajude a reunir os irmãos, a reconstruir a família. A fraternidade não se deve interromper, porque quando se interrompe, verifica-se o que aconteceu com Caim e Abel. (18 de fevereiro 2015)

  26. Em família, entre irmãos, aprendemos a convivência humana, como devemos conviver na sociedade. Talvez nem sempre estejamos conscientes disto, mas é precisamente a família que introduz a fraternidade no mundo [...]a liberdade e a igualdade podem encher-se de individualismo e conformismo, também de interesse pessoal. (18 de fevereiro 2015)

  27. A fraternidade em família resplandece de modo especial quando vemos o esmero, a paciência e o carinho com os quais são circundados o irmãozinho ou a irmãzinha mais frágeis, doentes ou deficientes. Os irmãos e as irmãs que agem assim são muitíssimos, no mundo inteiro, e talvez não apreciemos de modo suficiente a sua generosidade. (18 de fevereiro 2015)

  28. Ter um irmão, uma irmã que nos ama é uma experiência forte, inestimável, insubstituível. Acontece o mesmo com a fraternidade cristã. Os mais pequeninos, frágeis e pobres devem enternecer-nos: eles têm o «direito» de arrebatar a nossa alma, o nosso coração. Sim, eles são nossos irmãos, e como tais devemos amá-los e tratá-los. (18 de fevereiro 2015)

  29. Hoje é mais necessário do que nunca repor a fraternidade no centro da nossa sociedade tecnocrática e burocrática: assim, também a liberdade e a igualdade tomarão a sua correta modulação. Por isso, não privemos com leviandade as nossas famílias, por sujeição ou medo, da beleza de uma ampla experiência fraternal de filhos e filhas. (18 de fevereiro 2015)

  30. Devemos despertar o sentido comunitário de gratidão, de apreço e de hospitalidade, que levem o idoso a sentir-se parte viva da sua comunidade. Os anciãos são homens e mulheres, pais e mães que antes de nós percorreram o nosso próprio caminho, estiveram na nossa mesma casa, combateram a nossa mesma batalha diária por uma vida digna. São homens e mulheres dos quais recebemos muito. (4 de março 2015)

  31. O idoso somos nós: daqui a pouco, daqui a muito tempo, contudo inevitavelmente, embora não pensemos nisto. E se não aprendermos a tratar bem os anciãos, também nós seremos tratados assim [...] Onde não há honra pelos idosos não há porvir para os jovens. (4 de março 2015)

  32. A velhice recebe uma graça e uma missão, uma verdadeira vocação do Senhor. A velhice é uma vocação! Ainda não chegou o momento de «nos resignarmos». Sem dúvida, este período da vida é diferente dos precedentes; devemos também «inventá-lo» um pouco porque, espiritual e moralmente, as nossas sociedades não estão prontas para lhe conferir, a este momento da vida, o seu pleno valor. Com efeito, outrora não era tão normal ter tempo à disposição; hoje o é muito mais. E inclusive a espiritualidade cristã foi um pouco surpreendida, e trata-se de delinear uma espiritualidade das pessoas idosas. (11 de março 2015)

  33. É importante o testemunho dos idosos na fidelidade. (11 de março 2015)
  34. As crianças recordam-nos que todos, nos primeiros anos de vida, somos totalmente dependentes dos cuidados e da benevolência dos outros. E o Filho de Deus não evitou esta passagem. É o mistério que contemplamos todos os anos, no Natal. O Presépio é o ícone que nos comunica tal realidade do modo mais simples e direto. (18 de março 2015)

  35. As crianças são em si uma riqueza para a humanidade e também para a Igreja, porque nos chamam constantemente à condição necessária para entrar no Reino de Deus: a de não nos considerarmos autossuficientes, mas necessitados de ajuda, de amor, de perdão. E todos nós precisamos de ajuda, de amor, de perdão! (18 de março 2015)

  36. As crianças recordam-nos mais uma bonita realidade; recordam-nos que somos sempre filhos: até quando nos tornamos adultos, ou mesmo quando somos pais ou desempenhamos funções de responsabilidade, por detrás de tudo isto permanece a identidade de filhos. Todos nós somos filhos. E isto recorda-nos sempre que a vida não a damos sozinhos, mas recebemo-la. (18 de março 2015)

  37. Não descarreguemos as nossas culpas sobre as crianças! Elas nunca são «um erro». A sua fome não é um erro, como não o é a sua pobreza, a sua fragilidade, o seu abandono — muitas crianças abandonadas pelas ruas; e não o é nem sequer a sua ignorância, ou a sua incapacidade — numerosas crianças que não sabem o que é uma escola. Eventualmente, estes são motivos para as amar mais, com maior generosidade. Que fazemos das solenes declarações dos direitos do homem e dos direitos da criança, se depois punimos as crianças pelos erros dos adultos? (8 de abril 2015)

  38. É verdade que, graças a Deus, as crianças com graves dificuldades têm muitas vezes pais extraordinários, prontos a qualquer sacrifício e generosidade! Mas estes pais não deveriam ser abandonados a si mesmos! Deveríamos acompanhá-los nas suas canseiras, mas também oferecer-lhes momentos de alegria compartilhada e de júbilo descontraído, para que não se ocupem unicamente da rotina terapêutica. (8 de abril 2015)

  39. Pensai no que seria uma sociedade que decidisse, de uma vez para sempre, estabelecer este princípio. É verdade que não somos perfeitos, e que cometemos muitos erros. Mas quando se trata de crianças que vêm ao mundo, nenhum sacrifício dos adultos será julgado demasiado oneroso ou grande, contanto que se evite que uma criança chegue a pensar que é um erro, que não vale nada e que está abandonada às feridas da vida e à prepotência dos homens». Como seria bonita uma sociedade assim! (8 de abril 2015)

  40. Pergunto-me se a chamada teoria do gênero não é também expressão de uma frustração e resignação, que visa cancelar a diferença sexual porque já não sabe confrontar-se com ela. Sim, corremos o risco de dar um passo atrás. Com efeito, a remoção da diferença é o problema, não a solução. Ao contrário, para resolver as suas problemáticas de relação, o homem e a mulher devem falar mais entre si, ouvir-se e conhecer-se mais, amar-se mais. Devem tratar-se com respeito e cooperar com amizade. Só com estas bases humanas, sustentadas pela graça de Deus, é possível programar a união matrimonial e familiar para a vida inteira. (15 de abril 2015)

  41. O vínculo matrimonial e familiar é algo sério, e para todos, não apenas para os crentes. Gostaria de exortar os intelectuais a não desertar este tema, como se fosse secundário para o compromisso a favor de uma sociedade mais livre e mais justa. (15 de abril 2015)

  42. Na realidade, quase todos os homens e mulheres gostariam de ter uma segurança afetiva estável, um matrimônio sólido e uma família feliz. A família ocupa o primeiro lugar em todos os índices de “agradabilidade” entre os jovens; contudo, pelo receio de errar, muitos nem sequer desejam pensar nisto; não obstante sejam cristãos, não pensam no matrimônio sacramental, sinal singular e irrepetível da aliança, que se torna testemunho de fé. Talvez precisamente este medo de fracassar seja o maior obstáculo para receber a palavra de Cristo, que promete a sua graça à união conjugal e à família. (29 de abril 2015)

  43. Um matrimônio consagrado por Deus preserva o vínculo entre o homem e a mulher que Deus abençoou desde a criação do mundo; e é manancial de paz e de bem para toda a vida conjugal e familiar. (29 de abril 2015)

  44. O sacramento do matrimônio é um grande ato de fé e de amor [...]A vocação cristã para amar de modo incondicional e incomensurável é, com a graça de Cristo, quanto está também na base do livre consenso que constitui o matrimônio. (6 de maio 2015)

  45. É difícil educar para os pais que se encontram com os filhos só à noite, quando voltam para casa do trabalho cansados. Aqueles que têm a sorte de dispor de um trabalho! É ainda mais difícil para os pais separados, sob o peso desta sua condição: coitados, enfrentaram dificuldades, separaram-se e muitas vezes o filho é tomado como refém; o pai fala-lhe mal da mãe, a mãe fala-lhe mal do pai, e assim ferem-se tanto. Mas aos pais separados digo: nunca tomeis o filhos como refém! (20 de maio 2015)

  46. Separastes-vos devido a muitas dificuldades e motivos, a vida deu-vos esta provação, mas os filhos não devem carregar o fardo desta separação, que eles não sejam usados como reféns contra o outro cônjuge, mas cresçam ouvindo a mãe falar bem do pai, embora já não estejam juntos, e o pai falar bem da mãe. Para os pais separados, isto é muito importante e deveras difícil, mas podem fazê-lo. (20 de maio 2015)

  47. A vida tornou-se avara de tempo para falar, meditar, confrontar-se. Muitos pais são «raptados» pelo trabalho — o pai e a mãe devem trabalhar — e por outras preocupações, confusos pelas novas exigências dos filhos e pela complexidade da vida moderna — que é assim, devemos aceitá-la como é — e encontram-se como que paralisados pelo medo de errar. Mas o problema não é só falar. [...] Ao contrário, perguntemo-nos: procuramos entender «onde» estão deveras os filhos no seu caminho? Sabemos onde realmente está a sua alma? E sobretudo: queremos sabê-lo? Estamos convictos de que eles, na realidade, não estão à espera de algo mais? (20 de maio 2015)

  48. Quem pretende tudo e imediatamente, depois também cede sobre tudo — e já — na primeira dificuldade (ou na primeira ocasião). Não há esperança para a confiança e a fidelidade da doação de si, se prevalece o hábito de consumir o amor como uma espécie de «integrador» do bem-estar psicofísico. (27 de maio 2015)

  49. Deveríamos ajoelhar-nos diante destas famílias pobres, que são uma verdadeira escola de humanidade que salva as sociedades da barbárie. [...] Deveríamos estar cada vez mais próximos das famílias que a pobreza põe à prova. Considerai, todos vós conheceis alguém: pai sem trabalho, mãe desempregada... e a família sofre, os vínculos debilitam-se. [...] Façamos tudo o que pudermos para ajudar as famílias a ir em frente na prova da pobreza e da miséria que atingem os afetos, os vínculos familiares. (3 de junho 2015)

  50. O amor é mais forte do que a morte. Por isso, o caminho consiste em fazer aumentar o amor, em torná-lo mais sólido, e o amor preservar-nos-á até ao dia em que todas as lágrimas serão enxugadas, quando «já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor» (Ap 21, 4). Se nos deixarmos amparar por esta fé, a experiência do luto poderá gerar uma solidariedade de vínculos familiares mais forte, uma renovada abertura ao sofrimento das outras famílias, uma nova fraternidade com as famílias que nascem e renascem na esperança. (17 de junho)

Artigo de: OpusDei.org.br

Inscreva-se em nossa lista de e-mails!

Você pode nos escrever aqui nos comentários ou nos enviar sua dúvida sobre esta e todas as outras matérias pelo e-mail: donamoroaosfilhos@gmail.com

domingo, 10 de abril de 2016

O mundo precisa de adultos





Já publicamos um post falando que o adulto sumiu. Era um texto com muita ironia. Chegou a hora de falar mais sério sobre esse sumiço.
Adulto virou adjetivo. Quando se diz que o filme ou a revista tem temática adulta, significa que aí vem sacanagem. A isso chegamos. No melhor dos casos, o adulto é um cara sisudo que não tem a alegria dos jovens. Adulto virou sinônimo de cara feia.
Vamos tentar reverter esta situação. Ser adulto vale para homens e mulheres. É viver a maturidade própria da sua idade, ou seja, não como as crianças, os jovens ou os idosos. É o adulto que gera, cria e tenta educar as crianças e os jovens, é ele que assiste os idosos, ao mesmo tempo em que procura ouvir e aprender deles. Por tudo isso, tem um papel importante na condução do mundo.
O problema é que ele sumiu. Nos nossos tempos, a pessoa só deixa de ser jovem quando se torna “gagá”. Um homem com 60 anos sai por aí dizendo que arrumou uma namorada e só fala de carros e restaurantes. Uma mulher de 50 anos continua tendo como principal tema de conversa festas e frivolidades.
Ser adulto é ser responsável? Penso que todos devem ser responsáveis, cada um a seu modo e tempo. A criança pode e deve ser responsável na escola. Ser adulto é saber ponderar, ter em conta os matizes da realidade? Certamente, mas isso se aplica também a jovens e idosos. Ser adulto é ser independente? Todos precisamos saber se virar e saber pedir ajuda, de acordo com as circunstâncias de cada um. Talvez uma coisa seja própria do adulto: ter dependentes sob sua guarda. Seja na família, no trabalho, numa instituição ou na sociedade. E todos esperam dele que seja fiel e faça a sua parte.
Porque é difícil ser adulto em nossos dias?
Veneração pela juventude.
No passado, o jovem era alguém que tinha que ser ensinado pelos mais velhos. Com a invenção da adolescência feita pelo mercado de consumo e um par de intelectuais (vide post A criação da juventude), o jovem passou a ensinar os adultos como se vive. A partir dos anos 60 a situação se agravou e os jovens disseram aos adultos: Não há mais esperança para vocês. A melhor opção, se ainda querem ser felizes, é renunciar a crescer, usem nossas roupas e cabelos, transgridam e tentem nos imitar o melhor que puderem. Solução Peter Pan.
A geração do Vale do Silício trouxe mais pimenta ao dizer ao mundo que só os jovens são criativos. Mark Zuckerberg, inventor do Facebook não teve receio de afirmar: “Os jovens são mais inteligentes”. Se isso é verdade, a crosta de ignorância impede o uso da mesma. Nossa cultura está totalmente convencida de que o jovem é a encarnação da autenticidade e da irreverência (e de que isso são valores) e que deve ser venerado como a esperança da humanidade.
Modelos de educação e vida

Antigamente a maior parte da população mundial vivia no campo. As crianças e os jovens tinham um papel a desempenhar. Produziam, segunda sua capacidade. Pegar água no poço, pastorear os animais, ajudar na colheita, cuidar dos irmãos mais novos, etc. A ida à escola não impedia que trabalhassem e ajudassem seus pais. Mesmo nas cidades, era comum ver naqueles anos jovens vendendo jornais nas esquinas, fazendo serviço de entrega, atendendo no balcão da loja, etc.
Cresciam em um ambiente de responsabilidade, porque o que estava em jogo era a sobrevivência da família. Ao chegar na casa dos 20 anos, esses homens e mulheres casavam, saíam da casa dos pais e tratavam de trabalhar para sustentar sua nova família.
Compare com a situação atual. A criança e o jovem se tornaram meros consumidores. Possuidores de muitos direitos e poucos deveres. Não sabem pagar uma conta no banco, pegar ônibus ou limpar a cozinha. Tudo o que se exige é que estudem. Feito isso, estão liberados para curtir a vida, tendo seus pais como lacaios que os servem, sustentam e atendem a seus gostos. Para piorar a situação, o nível dos colégios e universidades exige uma hora de estudo por semana para conseguir boas notas. E por apenas 9 meses do ano. E essa criatura jovem, quase inútil, ainda é vista e incensada pelos mais velhos, como pináculo da humanidade.  Como podemos esperar que aos vinte e poucos anos, sem ter tido responsabilidades, sem ter enfrentados desafios, de repente ponha os pés no chão e se comporte como um adulto?
Em um post anterior escrevemos que antes dos 30 anos o cérebro ainda não “cristalizou”. Nesses anos é muito mais fácil adquirir hábitos novos. O treino para fazer as tarefas próprias de um adulto torna-se difícil após esse período. Pedir a uma mulher ou a um homem que “tome jeito” ou “aguente o tranco” aos 35 é muito diferente do que pedir isso aos 25 anos. O que era para ser feito de forma gradual, no seu tempo, passa a ser exigido de uma tacada e tarde demais.


 Escolhas e opções
 Voltemos ao Brasil do século XIX. O que você poderia comprar com vinte anos, trinta anos de idade? Que lugares do mundo poderia conhecer? Que profissões poderia exercer? Compare com os nossos dias e veja a abundância de escolhas disponíveis, em todos os campos da vida!
Mas, tudo tem seu preço. Escolher significa renunciar a outras opções. Mas o homem e a mulher modernos, disseram: Não! Quero tudo! Não quero renúncia! Não quero fechar portas! Quero casar, viajar, trabalhar, cobrar escanteio e cabecear.  Acontece que a realidade não permite isso e alguma coisa vai dançar: vem o divórcio, a carreira trunca, a noitada prejudica a saúde, etc. Por outro lado, quem tenta não decidir, fica em um limbo que não permite nenhum progresso real na vida.  Ora, é próprio da vida adulta escolher. Tomar decisões, assumir riscos, fechar portas. Há pessoas que dependem do adulto e este não pode ficar brincando de bem-me-quer, mal-me-quer.

 Jovem: o sucesso te espera
 No passado uma família tinha vários filhos e, destes, vários morriam na infância. A perda de um filho era um fato doloroso, mas corrente na vida. Com a redução da família para um, ou no máximo, dois filhos e baixa mortalidade infantil, cada pimpolho se tornou objeto de todas as atenções materiais (o que não significa que os pais estejam presentes). O escolhido passa a ser preparado desde o berço para ser “o cara”. Com talentos incríveis (só os professores é que não enxergam), o menino ou a menina entendem que o mundo deve se colocar de joelhos para eles. Como diz a socióloga Viviana Zelizer, os jovens passaram a não ter valor econômico (só consomem, não produzem), mas se tornaram emocionalmente impagáveis.
Passam os anos e vem o contato com o mundo real. Contato que tem sido cada vez mais tarde, somente após concluir a universidade. O processo de transformação de alguém que pensa ser especial em alguém que percebe que é um pedestre como outro qualquer é duro. E longo. A entrada no mundo adulto exige isso.


O caldo cultural não ajuda
Não se vê no horizonte mudança de perspectiva. Tudo que ouvimos são odes e louvores à juventude, ao romance e a curtir a vida. Não há propaganda que mostre uma pessoa trabalhando, pegando a vida, como o touro, à unha. Que novela ou série fala de pais responsáveis ou de gente séria? Tudo o que nos dizem é “pegue leve”; “no stress”; “keep calm and carry on”. De onde sairá o adulto? De onde menos se espera é que não vem nada mesmo.
Mas o mundo precisa de adultos. Porque precisa de profissionais competentes e experimentados (após muitos anos de esforço e sacrifícios continuados);  de gente que saiba dizer não quando necessário e mantenham e sustentem princípios e valores; de estabilidade e segurança, porque não se pode levar o mundo só no impulso e na criatividade; de gente que não queira apenas comer, mas também faça o pão; de pessoas que pensem menos em privilégios, concessões e indulgências e carreguem no ombro responsabilidades,  deveres e serviço; de pessoas que não pensem apenas no interesse próprio, mas no interesse dos demais e, sobretudo, dos que dependem deles.
Vamos trabalhar para que o mundo não se torne uma idiocracia: um mundo de tolos.

Artigo do blog: O Correio Chegou.

Inscreva-se na nossa lista de e-mails!

Você pode nos escrever aqui nos comentários ou nos enviar sua dúvida sobre esta e todas as outras matérias pelo e-mail: donamoroaosfilhos@gmail.com.